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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

1. A Acção de Formação do Moodle

Inscrevi-me na acção de formação, com carácter obrigatório, uma vez que tinha ficado decidido, no conselho pedagógico, que os coordenadores de departamento deviam aprender a utilizar o Moodle, para, posteriormente, serem eles a transmitir esse conhecimento aos colegas, com o intuito de todos contribuirem para a existência de uma plataforma online onde passaria a estar disponível, mediante o conhecimento de uma password, toda a documentação importante para cada grupo ou departamento disciplinar. A ideia era para mim entusiasmante e compareci na primeira sessão determinada a não deixar que as vizinhas dos lados falassem comigo enquanto o formador explicasse a matéria, para depois conseguir desenvolver rapidamente um bom trabalho, que facilitasse o acesso a documentos normalmente espalhados no espaço e muitas vezes difíceis de encontrar. O formador era o Martins, naturalmente cansado em todas as horas, devido mais ao seu peso, que ultrapassa largamente a barreira dos três dígitos, do que ao seu trabalho para procurar seguir os melhores métodos de transmissão de conhecimentos. O Martins revelou-se um teórico e quis começar por abordar o estado do ensino ao longo dos tempos, centrando-se na época retratada pelos Pink Floyd no álbum The Wall, e selecionando textos e vídeos para nós comentarmos e estabelecermos uma comparação de fundo entre essa época e a actual. Poucos minutos depois de iniciada a sessão, já eu estava incrédula quanto ao tipo de exigência de um formador que estava ali para nos ensinar a construir uma "base de dados" numa plataforma de uso comum e com intenção de facilitação do trabalho prático. E, sinceramente, tive a sensação de ter entrado na sala errada, onde decorria uma acção diferente daquela em que me inscrevera. Mas, como eu nem estava ali sozinha, se aquilo não interessasse, sempre se passava um bocado na galhofa com os colegas, especialmente com a Madalena, a Edite e a Sara. Mas, curiosamente e como comentário de texto é algo que a mim não atrapalha, resolvi esmerar-me naquilo que era da minha área e enveredei por uma escrita irónica q.b. para que se entendesse a minha discordância sobre o caminho desviado da meta que o formador tinha escolhido. Eu estava era ansiosa para construir o espaço online para o meu departamento. Comentar texto para avaliação já tinha feito muitas vezes na faculdade e eu sempre gostei de ir directa ao que interessa, sem rodeios que não valham a pena. Mas fui ficando, claro. Até porque o ensejo para a brincadeira compensava. A Madalena dizia: - Raio do homem, só está aqui porque não há mulher que o aguente! E nós temos de o gramar. - A Sara discorria sobre o que seria uma mulher aguentá-lo, e todas contribuíamos para uma conversa que ele nem imaginava, pois, teoricamente, estávamos a trabalhar em grupo e ele, ao nosso grupo, que lhe apresentava as tarefas prontas com rapidez, deixou de ligar. Nem quando o chamávamos para esclarecer dúvidas ele aparecia. A Sara, chateada com isso, considerou que o melhor era passarmos a ir vestidas de outra maneira, para o provocarmos, o que fez a Edite perguntar: - De outra maneira? Que maneira? - E acrescentou que não queria saber dos créditos para nada e que se a ação continuasse assim, ela desistia. Então eu, para desanuviar, achei que podíamos ir desgrenhadas e rotas. Isso iria de certeza fazê-lo reparar em nós, que queríamos aprender e não éramos atendidas. Claro que a nossa brincadeira, como se adolescentes fôssemos, não passou disso mesmo e a ação chegou a acabar num belo dia, já depois das férias do Verão, ainda antes de se iniciarem as aulas. A minha nota só a soube muitos meses depois, já eu estava doente há algum tempo, numa visita que me ocorreu fazer ao Moodle, quando nem sequer pensava na ação. E, para meu espanto, tive dez, a nota máxima. E fui a única, o que eu acho que aconteceu porque só eu confrontei o Martins no seu modo de trabalhar e nas suas ideias (o que fiz subtilmente), e ele terá gostado disso. Mas também é verdade que fui a única a criar um verdadeiro entusiasmo pelo blogue. Todos criámos o que era preciso criar, uns melhor do que outros, mas só eu me entreguei de corpo e alma a argumentar contra as teorias do Monteiro... Tudo aquilo que cada formando escrevia ficava online e ao dispor de todos os inscritos e eu cheguei a ser notada pela disponibilidade para o debate e pela assertividade. Enquanto escrevia, pensava que alguém me iria criticar destrutivamente, mas aos poucos fui ganhando força, pois os colegas estavam do meu lado e encararam-me como porta-voz deles. O Martins, sentindo-se picado, picava-me também, o que levava a grandes discussões via Moodle, e isso agradava-me. Nas sessões presenciais, começou por ser quase impossível aprender alguma coisa, ora pelas exposições teóricas do Martins, ora por ele só se abeirar daqueles que quase não dominavam o Word, quanto mais recursos online. Mas, com o tempo, conseguimos vincar a necessidade de aprender alguma coisa, pois, caso contrário, deixaríamos de ir para ali perder o nosso precioso tempo. E a primeira aprendizagem mais ou menos suficiente que conseguimos foi a construção de um blogue. Inútil para quem estava ali para aprender Moodle, mas fulcral para o que viria a ser a minha vida a partir de então e até hoje. No dia em que começámos o blogue, surgiu-me, de imediato o título "Canto do Ego", e foi ali, entre colegas e em conversa, que nasceu esse blogue que ainda alimento e que começou com muito entusiasmo.